2. Cibernéticas
Achamos que o documentário "Cibernéticas" levantou muitos pontos que, para sermos sinceras, não eram assuntos que estávamos pensando constantemente sobre. Um exemplo disso, é como a tecnologia está muito associada aos homens e como, na maioria das vezes, esse mundo exclui as mulheres, especialmente mulheres negras. Os cursos das faculdades relacionados à tecnologia geralmente são compostos, em uma grande porcentagem, por homens, especialmente homens brancos, cis e hétero, e as poucas mulheres que estão ali quase nunca são realmente levadas a sério. Elas estão constantemente sendo desmotivadas. Outro ponto que nos marcou foi a falta da figura feminina nos setores tecnológicos. Fica visível, que o mundo tecnológico foi moldado por uma visão masculina, elitista e limitada.
Quando falamos sobre a educação e a escola atual, não podemos esquecer de mencionar o quanto muitas vezes ela ainda não é algo realmente inclusivo. Em “Cibernéticas” se destaca isso. Em uma pesquisa feita por TIC Domicílios em 2022, no brasil há 36 milhões de pessoas que ainda não tem acesso an internet, em um mundo que hoje em dia se usa internet para tudo, inclusive para mandar currículos, se inscrever em vestibulares, isso é algo que exclue uma parte da população. Vivemos em um tempo em que a tecnologia está ligada às práticas pedagógicas. Alunos e professores usam plataformas digitais todos os dias, mas muitas vezes sem conhecer direito como essas ferramentas funcionam ou quem está atrás delas. Isso nos preocupa, principalmente quando lembramos que 57% da população ainda não tem acesso qualificado à internet, e quase metade das pessoas têm conexão com qualidade entre média e baixa. Mesmo com uma melhora gradual ao longo dos anos, esses números ainda mostram uma exclusão digital séria. É importante criar espaços onde meninas e mulheres possam ser atuantes e protagonistas nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, para promover uma educação mais inclusiva e representativa e dessa forma, o aumento da população feminina crescerá nessas áreas.
As tecnologias digitais estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia, seja ele, o escolar, profissional ou o pessoal. É pertinente observar o quanto ela nos ajuda em diversas necessidades, mas o quanto também nos traz desafios. No nosso dia a dia, ela está sempre presente. Nós acordamos com o despertador do celular, estudamos por plataformas on-line, fazemos trabalho no computador, conversamos por mensagens, tudo que fazemos está de alguma forma relacionado com a tecnologia. No entanto, o que o documentário “Cibernéticas”, nos mostra é que essa naturalização pode ser bastante perigosa, porque não possuímos um controle nas informações que entregamos e entregaremos. No meio escolar, a tecnologia entra muitas vezes como uma solução rápida, mas que pode trazer consequências, entre elas, alunos distraídos, professores sobrecarregados e uma certa dependência dos recursos digitais.
Discutir algoritmos, dados e vigilância no curso de Pedagogia é entender que educar não é só sala de aula, é ensinar a navegar o mundo digital, mas com consciência, mostrando que nem tudo que está na internet é confiável e que nossos dados valem muito. O professor do futuro precisa estar atento a essas questões, não só pra proteger os alunos, mas pra ajudar a formar cidadãos críticos, que saibam fazer suas próprias escolhas e não só seguir o que os algoritmos entregam ou que está na modinha. Hoje, professores e alunos usam várias tecnologias, mas nem sempre sabem o que acontece por trás dessas ferramentas, como os dados que compartilham e como as máquinas nos manipulam ao escolher o que nos mostrar. Por isso, é essencial que os educadores compreendam esse cenário e usem a tecnologia de forma consciente e inclusiva, garantindo que todos tenham acesso a uma educação de qualidade, tanto dentro, quanto fora das telas.
No documentário, a física Liane Tarouco, comenta sobre um acontecimento em sua vida profissional, onde, mesmo capacitada profissionalmente e preparada, foi descartada para um cargo mais alto, mesmo seu oponente tendo poucas qualificações, depois que ele saiu, Liane só conseguiu o cargo porque teve que correr muito atrás, mesmo sendo preparada ela ainda não tinha visibilidade. Nós, não apenas concordamos, mas também destacamos o quanto esse pensamento patriarcal ainda é bastante presente atualmente, especialmente para mulheres negras. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) apenas 39% das mulheres ocupam cargos de liderança no Brasil, e essa porcentagem é ainda menor quando falamos sobre mulheres negras, mesmo que elas representem mais da metade da população economicamente ativa no país, além de que existe uma grande diferença salarial, mulheres recebem 20,7% a menos que os homens.



Adorei o resumo, bem completo e com muitos pontos importantes do vídeo, acho bem legal a retomada desses pontos pois relembra dados reais Brasileiros que não são muito conhecidos e quase ninguém citou.
ResponderExcluirMilena e Julina, por favor identifiquem quem realizou esse comentário!
ExcluirRealmente, meninas. Um ponto que me chamou a atenção foi quando vocês mencionaram sobre a importância da inserção das tecnologias, principalmente as digitais devido ao aumento do seu uso, no meio pedagógico. É essencial que haja alguma política pública que imponha esses recursos dentro das escolas, pois estamos falando de uma grande parte da população que sofre com a falta desse acesso. Então, para ter uma educação libertadora, é preciso uma ampliação na visão do Estado e da sociedade perante a isso. Muito legal o ponto de vista de vocês. Adorei!
ResponderExcluirGostei bastante da abordagem que vocês fizeram e os dados citados acima foram extremamente importantes, onde muitas vezes não paramos para refletir sobre essas questões. Um ponto que me chamou muito a atenção foi o fato de ainda existir poucas mulheres ocupando cargos de liderança. E quando conseguem conquistar, muitas vezes precisam se desdobrar para se manter, provando sua competência dia após dia. O mundo da tecnologia avançou bastante, mas continua sendo um ambiente desafiador para as mulheres, onde andam existe uma pressão e muitas barreiras invisíveis que precisam ser superadas. Enfim, gostei bastante do que vocês abordaram e irei vim aqui mais vezes olhar os conteúdos postados por vocês. Até mais ☺️☺️
ResponderExcluirAbordagem bem clara e explicativa. Porém, o ideal era trazer uma discussão sobre o que estava sendo trabalhado no documentário, uma visão crítica e autodestrutiva. Vocês acabaram respondendo os cinco questionamentos colocados pela professora, os quais eram para nortear a escrita.
ResponderExcluirParabéns, Milenas!
Muito bom uso dos dados! E sobre a reflexão do início, é exatamente esse tipo de discussão que este tipo de material visa trazer, ótimo texto e análise, parabéns.
ResponderExcluirCath, quero vê-la dialogando mais com os colegas. Os comentários é para que entremos numa roda de conversa e tenho observado que você tem feito comentário para elogiar. Não, que não deva elogiar, mas sinto falta de dialogo para além dos elogios, certo?
ExcluirRealmente, Milenas. Os pontos sobre a presença das tecnologias em nossas vidas e a manipulação das máquinas são muito pertinentes. Parabéns!
ResponderExcluirPreciso da identificação deste comentário para registrá-lo na planilha.
ExcluirRita comentou aqui.
ExcluirQue reflexão potente! Estou encantada com a escrita de vocês: bem estruturada, com boas argumentações e reflexões! Parabéns! De fato não podemos ficar alheios a essa discussão. Hoje, o país precisa investir em educação, ciência e tecnologia, para termos soberania digital. O filme nos mostra que as meninas conseguiram ocupar o seu espaço nesse lugar que é tão masculinizado, mas que ainda não chegamos a soberania digital. Somos colonizados, nossas informações são colonizadas. Por isso, é importante trabalharmos com educação digital na formação de professores e nas escolas. Dai a nossa responsabilidade social enquanto futuros pedagogos: se não trabalharmos com essas temáticas, na perspectiva da educação digital, continuaremos colonizados, pois não estimularemos nossos meninas e meninas a transformar as realidades. bjos
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